A prostatectomia radical assistida por robô passou a ter cobertura obrigatória pelos planos de saúde a partir de 1º de abril de 2026. A decisão foi tomada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que aprovou em dezembro de 2025 a incorporação do procedimento ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. Na minha análise, esse é um marco importante para quem enfrenta o câncer de próstata no Brasil, já que a cirurgia robótica se torna a primeira desse tipo a ganhar esse status no país.
A medida afeta diretamente pacientes com diagnóstico de câncer de próstata localizado ou localmente avançado, que agora podem ter acesso à técnica sem depender exclusivamente da rede privada paga do próprio bolso ou da fila do SUS. Eu acredito que essa ampliação de cobertura tende a reduzir desigualdades no acesso a um tratamento que, até pouco tempo, estava concentrado em grandes centros urbanos.
O que muda no tratamento do câncer de próstata?
A decisão da ANS seguiu recomendação da Conitec, publicada em outubro de 2025, respaldada pela Lei nº 14.454/2022. Essa legislação determina a inclusão automática no rol da saúde suplementar de procedimentos já aprovados para o SUS. Ou seja, o caminho começou no sistema público e, em seguida, se estendeu aos planos de saúde.

Segundo a mesma recomendação, a Conitec considerou avanços nas evidências científicas sobre a técnica, além da infraestrutura já instalada na rede pública. De acordo com a ANS, existem 40 plataformas robóticas em operação no Brasil, concentradas principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Apesar disso, a própria agência reconhece que a interiorização da tecnologia ainda é um desafio, já que a maior parte dos equipamentos permanece nas grandes capitais.
Como funciona o sistema Da Vinci?
O sistema Da Vinci é uma plataforma de cirurgia robótica que permite ao cirurgião realizar procedimentos com grande precisão por meio de pequenas incisões. Durante a operação, o médico controla os braços robóticos a partir de um console, enquanto visualiza o campo cirúrgico em imagem tridimensional e ampliada. Os instrumentos reproduzem os movimentos das mãos com maior amplitude e filtragem de tremores.
É importante deixar claro que o robô não realiza a cirurgia sozinho: todas as ações dependem do comando do cirurgião. Na urologia, a tecnologia também é usada em nefrectomia parcial e em reconstruções do trato urinário, além da prostatectomia radical. Em casos selecionados, a técnica pode proporcionar menor sangramento, menos dor e recuperação mais rápida, segundo as informações disponíveis sobre o procedimento.

Incorporação ao SUS já havia ocorrido antes
Antes de chegar aos planos de saúde, a prostatectomia radical assistida por robô já havia sido incorporada ao SUS. Em outubro de 2025, a Agência Brasil noticiou que o procedimento, para pacientes com câncer clinicamente avançado, deveria ser oferecido em até 180 dias pela rede pública, prazo que as áreas técnicas teriam para efetivar essa oferta.
Há, porém, uma divergência entre fontes sobre a cronologia exata: outra reportagem situa a confirmação da incorporação ao SUS em setembro de 2024, quando o Ministério da Saúde teria confirmado a medida para câncer de próstata localizado ou localmente avançado. Diante dessa diferença de datas entre os registros disponíveis, friso que vale buscar a cronologia oficial da Conitec e do Ministério da Saúde para precisar qual marco corresponde à publicação da portaria e qual corresponde ao início efetivo da oferta.
INCA forma especialistas em cirurgia robótica
Desde 2012, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) realiza cirurgias robóticas de forma pioneira no SUS, com mais de 2 mil procedimentos já realizados nas especialidades de urologia, ginecologia, cabeça e pescoço, abdome e tórax, segundo reportagem da Agência Brasil de 17 de novembro de 2025. A instituição recebeu o robô Da Vinci Xi e criou um Centro de Treinamento e Pesquisa em Robótica, que deve auxiliar na implementação da tecnologia em outras partes do país.

O diretor-geral do Inca, Roberto Gil, afirmou que um dos principais usos da cirurgia robótica no tratamento oncológico é justamente a prostatectomia. O instituto prevê formar 14 especialistas por ano através do novo centro. A estrutura conta com três consoles cirúrgicos e simulador de realidade virtual, o que permite treinamento em ambiente seguro antes da atuação em pacientes reais.
Números de equipamentos ainda divergem entre fontes
Existe divergência relevante sobre o total de plataformas Da Vinci instaladas no Brasil, a depender da fonte e da data de referência. Enquanto a ANS cita 40 plataformas no SUS, outros levantamentos apontam totais bem diferentes para o conjunto do país, incluindo rede pública e privada, variando conforme a metodologia de contagem (por hospitais, por unidades ou por procedimentos realizados). Por isso, prefiro não cravar um número único neste momento e recomendo que o leitor busque a fonte primária, como a Conitec, o Ministério da Saúde ou a Sociedade Brasileira de Urologia, para dados mais atualizados.
O que fica claro, independentemente da divergência numérica, é que a tecnologia cresceu significativamente desde a primeira prostatectomia robótica realizada no país, em 2008, quando ficava restrita a poucos centros privados. A ampliação da cobertura pelos planos de saúde, somada à oferta já prevista no SUS, deve pressionar por uma distribuição mais equilibrada dos equipamentos entre as regiões brasileiras nos próximos anos.


