Diagnóstico precoce e tratamento especializado para o câncer de bexiga com abordagem minimamente invasiva e tecnologia endoscópica de ponta para preservar a qualidade de vida.
Atendimento especializado no Rio de Janeiro.
O câncer de bexiga ocorre quando células que revestem internamente a bexiga passam a se multiplicar de maneira descontrolada, formando um tumor. Na maioria dos casos, a doença se origina no urotélio, camada de células que reveste a parte interna da bexiga, sendo denominada carcinoma urotelial.
É uma doença mais frequente em homens e sua incidência aumenta com a idade. No Brasil, o INCA estima aproximadamente 13 mil novos casos de câncer de bexiga por ano entre 2026 e 2028, sendo a maioria em homens.
O principal fator de risco evitável para o câncer de bexiga é o tabagismo. As substâncias tóxicas presentes no cigarro são absorvidas pelo organismo, filtradas pelos rins e eliminadas através da urina. Durante esse processo, permanecem em contato com o revestimento da bexiga, podendo favorecer alterações celulares ao longo dos anos. Outros fatores associados ao aumento do risco incluem: idade avançada; exposição prolongada a determinadas substâncias químicas; atividades profissionais envolvendo corantes, borracha, produtos derivados do petróleo e alguns solventes; exposição ao arsênio e outros agentes carcinogênicos; histórico de determinados tratamentos oncológicos e situações de inflamação crônica da bexiga. A exposição ocupacional a substâncias químicas é reconhecida como importante fator de risco, especialmente em determinadas atividades industriais.
O sintoma mais característico do câncer de bexiga é a presença de sangue na urina, chamada hematúria. Muitas vezes, o sangramento aparece de maneira súbita, sem dor, desaparece espontaneamente e pode retornar dias ou semanas depois. Justamente por ser intermitente, alguns pacientes deixam de procurar avaliação médica após o desaparecimento do sintoma. A presença de sangue na urina, principalmente quando ocorre sem infecção urinária ou sem uma causa claramente identificada, deve ser investigada.
Outros sintomas possíveis incluem: aumento da frequência urinária; urgência para urinar; ardência ou dor ao urinar; dificuldade para urinar; desconforto na região pélvica. Esses sintomas também podem ocorrer em doenças benignas, como infecções urinárias, cálculos ou alterações da próstata. Por isso, a avaliação pelo urologista é fundamental para determinar a causa.
A investigação geralmente começa com a avaliação clínica, exames de urina e exames de imagem. A ultrassonografia pode identificar algumas lesões dentro da bexiga, mas a tomografia computadorizada com contraste, especialmente a urotomografia, permite uma avaliação mais detalhada da bexiga, dos rins e dos ureteres. Um dos exames mais importantes é a cistoscopia, procedimento no qual um aparelho fino com uma pequena câmera é introduzido pela uretra, permitindo visualizar diretamente o interior da bexiga. Quando é identificada uma lesão suspeita, normalmente é indicada a **ressecção transuretral do tumor de bexiga (RTU de bexiga).
A RTU de bexiga é realizada através da uretra, sem necessidade de incisões externas. Durante o procedimento, o urologista remove o tumor utilizando um equipamento endoscópico. O material retirado é enviado para análise anatomopatológica.
Essa análise é fundamental porque permite determinar: o tipo de tumor; o grau de agressividade das células; a profundidade de invasão da parede da bexiga. Essas informações são essenciais para definir o tratamento seguinte. A RTU é, na maioria das vezes, o primeiro procedimento realizado diante de um tumor vesical suspeito.
Nos casos em que o tumor não atingiu a camada muscular da bexiga, ele permanece restrito às camadas mais superficiais da parede vesical e não invade o músculo. O tratamento inicial geralmente é realizado através da ressecção transuretral. Dependendo das características e do risco de recorrência ou progressão, podem ser indicados tratamentos adicionais diretamente dentro da bexiga, chamados de tratamentos intravesicais. Entre eles estão medicamentos quimioterápicos e a imunoterapia intravesical com BCG. O objetivo é reduzir o risco de o tumor retornar e, nos tumores de maior risco, diminuir a possibilidade de progressão da doença.
Uma característica importante dos tumores de bexiga é a possibilidade de recorrência, principalmente nos tumores não músculo-invasivos. Por esse motivo, mesmo após a retirada completa da lesão, o paciente precisa manter acompanhamento periódico com o urologista. A frequência desses exames depende do grau, estágio e risco individual de cada tumor.
Quando o tumor alcança a camada muscular da bexiga, a doença passa a ser considerada músculo-invasiva e necessita de uma estratégia terapêutica diferente. Nesses casos, uma das principais formas de tratamento com intenção curativa é a cistectomia radical, cirurgia para retirada da bexiga associada à retirada dos linfonodos da região pélvica.
Em pacientes selecionados, a quimioterapia pode ser realizada antes da cirurgia, com o objetivo de tratar possíveis células tumorais microscópicas e melhorar os resultados oncológicos. Após a retirada da bexiga, é necessário criar uma nova forma para a eliminação da urina, procedimento conhecido como derivação urinária. Dependendo das características do paciente e da doença, existem diferentes técnicas disponíveis.
Em pacientes criteriosamente selecionados, pode ser possível utilizar uma estratégia de preservação da bexiga. Esse tratamento geralmente combina ressecção transuretral máxima do tumor + quimioterapia + radioterapia. Essa abordagem é conhecida como tratamento trimodal e exige acompanhamento rigoroso após o tratamento, porque a bexiga permanece no organismo.
Quando o câncer ultrapassa a bexiga ou apresenta disseminação para outros órgãos, podem ser necessários tratamentos sistêmicos. Nos últimos anos, houve grande evolução no tratamento do câncer de bexiga avançado, com diferentes opções de quimioterapia, imunoterapia, terapias-alvo e outros medicamentos oncológicos. A escolha depende das características do tumor, extensão da doença, função renal, condições clínicas do paciente e tratamentos realizados anteriormente.
Exame endoscópico que permite visualização direta do interior da bexiga, identificando lesões suspeitas com precisão. É o padrão-ouro para o diagnóstico do câncer de bexiga e pode ser associado à biópsia imediata.
Análise das células presentes na urina para detecção de células malignas. Exame complementar à cistoscopia, especialmente útil para tumores de alto grau e no seguimento após o tratamento.
Avaliação do estadiamento tumoral, invasão da parede vesical e comprometimento de estruturas adjacentes e linfonodos. Fundamental para o planejamento cirúrgico e a definição da estratégia terapêutica.
Procedimento endoscópico realizado pela uretra, sem incisões, para remoção de tumores superficiais. Permite diagnóstico histológico completo e tratamento simultâneo, com alta taxa de resolução para tumores de estágio inicial.
Instilação de BCG diretamente na bexiga após a RTU-V para estimular o sistema imunológico local, reduzindo significativamente o risco de recidiva em tumores de alto risco. Protocolo de manutenção com seguimento rigoroso por cistoscopia.
Para tumores músculo-invasivos, a remoção da bexiga por via laparoscópica ou robótica oferece o melhor controle oncológico. A reconstrução da via urinária é planejada individualmente, podendo incluir neobexiga ortotópica ou bolsa ileal.
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