Diagnóstico de câncer de próstata: entenda quando começar o rastreamento

Diagnóstico de câncer de próstata: entenda quando começar o rastreamento

O câncer de próstata é o tumor mais comum entre homens no Brasil, descontados os casos de pele não melanoma, segundo dados do INCA. A estimativa oficial aponta 71.700 casos novos por ano no triênio 2023-2025, com variações entre as regiões do país. Em muitas fases, a doença não apresenta sintomas, o que torna o diagnóstico de câncer de próstata dependente de exames de rotina e acompanhamento médico regular.

Na minha avaliação como urologista, esse é um ponto central: sem sintomas visíveis, o paciente só descobre a doença se procurar avaliação clínica, fizer dosagem de PSA e, quando necessário, exames de imagem e biópsia. Quanto mais cedo isso acontece, maior o número de alternativas de tratamento disponíveis.

Por que o diagnóstico de câncer de próstata importa tanto?

O câncer de próstata é o segundo tipo mais mortal entre homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pulmão em termos globais de incidência e mortalidade. Segundo o INCA, a doença representa 10,2% de todos os casos de câncer registrados no país, atrás apenas do câncer de pele não melanoma (31,3%) e do câncer de mama em mulheres (10,5%).

O câncer de próstata é o segundo tipo mais mortal entre homens…

Já a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) divulgou, em maio de 2025, que o câncer de próstata responde por 29% de todos os diagnósticos de câncer em homens no Brasil, com cerca de 66 mil novos casos e quase 16 mil mortes por ano, conforme dados atribuídos ao INCA. Existe uma diferença entre essa cifra e a estimativa oficial de 71,7 mil casos anuais divulgada pelo próprio instituto, o que sugere que ainda há variação entre fontes sobre o número exato, provavelmente por diferenças de metodologia.

Dados do SUS referentes ao período de 2018 a 2022 mostram mais de 125 mil casos de câncer de próstata registrados, média de 25 mil por ano. Desse total, 85,3% ocorreram em homens com 60 anos ou mais, o que reforça o peso da idade como fator de risco.

Quem tem mais risco de desenvolver a doença?

Segundo o Oncoguia, seis em cada dez diagnósticos acontecem em homens com mais de 65 anos, e a doença é rara antes dos 40 anos. A idade média no momento do diagnóstico é de 67 anos. Além da idade, histórico familiar e obesidade também estão entre os principais fatores de risco apontados.

Segundo o Oncoguia, seis em cada dez diagnósticos acontecem em homens com…

Homens negros e com ascendência africana apresentam risco maior de desenvolver câncer de próstata do que homens de outras raças, segundo o Oncoguia. Em termos de risco de vida, estima-se que um em cada oito homens será diagnosticado com a doença ao longo da existência, e que a cada 44 homens, ao menos um morrerá em decorrência dela.

Um dado local chama atenção: queda de 63% em registros no Grande ABC

Levantamento com base no DataSUS mostrou que as sete cidades do Grande ABC, em São Paulo, registraram queda de 63% nos casos de câncer de próstata entre janeiro e setembro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024: foram 144 casos neste ano, contra 387 no ano anterior.

Essa redução, porém, não significa necessariamente menos pessoas doentes. Segundo o urologista Alexandre Iscaife, citado na reportagem sobre a região, a queda pode refletir o preconceito que ainda existe em relação ao exame de toque retal, usado na identificação da doença, e não uma diminuição real no número de casos. Entre os 144 registros de 2025 na região, 80% (116 casos) ocorreram em homens de 60 a 79 anos, faixa etária mais incidente a partir dos 40 anos.

Essa redução, porém, não significa necessariamente menos pessoas doentes. Segundo o urologista…

Quais são as chances de cura?

Aqui também há divergência entre fontes. Com base em dados do NCI, instituto americano citado na reportagem sobre o Grande ABC, quando a doença é descoberta no início, as chances de sobrevida em cinco anos chegam a 98%. Se já estiver disseminada, esse índice cai para cerca de 37,5%.

Já fontes institucionais brasileiras trazem números diferentes. Um urologista ouvido pelo Senado afirmou que “o índice de cura com diagnóstico precoce é de 90%”, reforçando que “quando a gente diagnostica precocemente, tem mais de 90% de chance de cura”. Uma campanha de saúde pública do Distrito Federal, conduzida pelo IgesDF, também cita índice de cura de até 90% quando a doença é detectada em fases iniciais. A diferença entre as cifras de 98% e 90% provavelmente decorre de metodologias distintas entre as fontes internacionais e nacionais, algo que ainda não foi completamente esclarecido.

Quando começar o rastreamento do câncer de próstata?

Esse é o ponto de maior controvérsia entre as recomendações disponíveis. Em 2023, as Sociedades Brasileiras de Urologia (SBU), de Oncologia Clínica (SBOC) e de Radioterapia (SBRT) passaram a recomendar, em posição conjunta, que homens discutam com seus médicos sobre o início do rastreamento entre os 55 e 69 anos. A revisão ocorreu depois que se observou aumento no número de casos de câncer de próstata metastático, considerado incurável, desde que uma recomendação anterior, de 2012, havia se posicionado contra o rastreio por PSA.

Por outro lado, campanhas de conscientização e portais ligados à SBU-SP ainda divulgam faixa etária diferente: início do rastreamento aos 50 anos para a população geral, e aos 45 anos para homens com histórico familiar da doença ou de raça negra, grupos considerados de maior risco. Essa mesma faixa aparece em campanhas institucionais do Senado, do Distrito Federal e de outros órgãos.

Na minha análise, essa diferença entre 55-69 anos (posição técnica conjunta de 2023) e 50 anos, ou 45 para grupos de risco (campanhas de conscientização) precisa ficar clara para o paciente, que deve buscar orientação individualizada. Não existe uma idade única válida para todos os casos: ela depende do histórico de cada pessoa.

PSA é confiável? Existem controvérsias sobre o exame

O exame de dosagem do PSA, feito por coleta de sangue, é considerado o melhor método disponível para rastreamento, mas não é específico para câncer. Ele pode se alterar em situações benignas, como hiperplasia prostática benigna, infecção urinária, prostatite, manipulação da próstata e retenção urinária, o que gera falsos-positivos.

Há também uma corrente crítica na literatura acadêmica, representada por artigos publicados na Scielo, que questiona o rastreamento populacional com PSA. Segundo esses artigos, a maioria dos tumores detectados por esse rastreamento tem evolução lenta e não necessariamente interferiria na sobrevida ou na qualidade de vida do paciente. Por esse motivo, diversas instituições estrangeiras, e segundo esses artigos também o próprio INCA, não recomendam o rastreamento em massa.

De fato, o Ministério da Saúde e o INCA não recomendam que todos os homens assintomáticos façam PSA e toque retal como rotina padrão. A posição oficial, baseada em estudos internacionais que apontaram riscos do rastreamento em massa, é pelo rastreamento individualizado, em que cada paciente avalia riscos e benefícios com acompanhamento médico.

O que fazer a partir de agora

Diante dessas divergências entre faixas etárias recomendadas e índices de cura, o caminho mais seguro continua sendo a conversa direta entre paciente e médico. Avaliar idade, histórico familiar, raça e outros fatores individuais de risco é o que permite definir, caso a caso, a estratégia mais adequada de rastreamento e, se necessário, de diagnóstico de câncer de próstata em estágio inicial, quando as chances de tratamento bem-sucedido são maiores.

Sobre o autor

O Dr. Danilo Souza Lima é urologista com foco em cirurgia minimamente invasiva e saúde integral do homem, dedicado a oferecer um atendimento humano e tecnologicamente avançado.

Priorize sua Saúde

Agende uma avaliação completa com o Dr. Danilo e tire todas as suas dúvidas em um ambiente acolhedor e profissional.