Cálculos renais: veja como a prevenção pode reduzir o risco de pedras nos rins

Cálculos renais: veja como a prevenção pode reduzir o risco de pedras nos rins

Uma em cada dez pessoas no Brasil sofre de cálculo renal em algum momento da vida, segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). O número chama atenção porque a condição é dolorosa, pode levar a internações de urgência e, sem cuidados adequados, tende a se repetir. Na minha análise, esse é um problema de saúde pública que merece atenção redobrada, especialmente porque boa parte dos casos pode ser evitada com hábitos simples do dia a dia.

A prevenção de cálculos renais passa, em primeiro lugar, por hidratação adequada. Beber água em quantidade suficiente dilui a urina e dificulta a formação de cristais que dão origem às pedras. Além disso, a alimentação tem papel decisivo: o excesso de sal, o consumo elevado de proteína animal e o hábito de recorrer a alimentos ultraprocessados podem aumentar o risco em determinados perfis de pacientes.

Por que a prevenção de cálculos renais é tão importante?

Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, a prevalência da nefrolitíase, nome técnico para a formação de cálculos renais, tem crescido nos últimos anos e afeta entre 10% e 15% da população. A condição é mais comum em homens, numa proporção de 2 a 3 vezes maior do que em mulheres, com pico de incidência entre a terceira e a quinta décadas de vida.

Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, a prevalência da nefrolitíase, nome técnico…

Um dado preocupante diz respeito à recorrência. Há conflito entre fontes sobre o percentual exato: uma reportagem baseada na SBU aponta chance de aproximadamente 30% de novos cálculos quando nenhuma medida preventiva é adotada, enquanto outra matéria, também citando a entidade, fala em até metade dos pacientes com recorrência em dez anos. De qualquer forma, ambas convergem num ponto: sem prevenção, o risco de reincidência é alto.

O Hospital Oswaldo Cruz também chama atenção para a tendência de crescimento no Brasil. Segundo a instituição, com base em dados do Ministério da Saúde, as internações por doenças renais crônicas aumentaram cerca de 67% entre 2010 e 2023, afetando principalmente homens e mulheres entre 30 e 50 anos.

O verão aumenta o risco de pedras nos rins?

Sim. A SBU divulgou que o verão acende um alerta especial, já que a incidência de pedras nos rins chega a ser 30% maior nesse período do ano. A explicação está no aumento da transpiração sem a reposição adequada de líquidos. Por isso, a entidade realiza anualmente, a partir de meados de janeiro, uma semana de orientação voltada à prevenção da formação de cálculos renais.

Sim. A SBU divulgou que o verão acende um alerta especial, já…

Quanto de água é preciso beber por dia?

Aqui há variação entre as fontes. Um repositório técnico de Atenção Primária à Saúde cita recomendação de ingestão total de água entre 2,5 e 3,7 litros para homens e entre 2,0 e 2,7 litros para mulheres, na faixa etária de 19 a 70 anos, somando líquidos de bebidas e alimentos. A mesma fonte alerta que idosos têm risco maior de desidratação, e que a perda de líquidos se intensifica no verão e durante atividade física.

Outras fontes trazem números mais genéricos, como “2 a 3 litros por dia” ou “pelo menos 2 litros”, sem que haja consenso total sobre o volume exato. Diante dessa variação, um indicador prático e recorrente entre as fontes consultadas é simples: a urina deve se manter com coloração amarelo-clara. Esse sinal visual ajuda a saber, na prática, se a hidratação está suficiente.

Quais alimentos influenciam na formação de cálculos renais?

A alimentação é apontada como um dos fatores mais relevantes na prevenção. Uma diretriz técnica recomenda reduzir o consumo de sal, evitar excesso de produtos industrializados, em conserva e embutidos, manter ingestão normal de cálcio, reduzir proteínas de origem animal como carnes vermelhas, vísceras e miúdos, além de aumentar o consumo de alimentos ricos em potássio e citrato.

A alimentação é apontada como um dos fatores mais relevantes na prevenção.…

Limitar o sódio a menos de 2.300 mg por dia ajuda a diminuir a excreção de cálcio na urina, segundo informações da Apollo Hospitals. Já o consumo elevado de carne vermelha, frango e frutos do mar pode aumentar a acidez da urina, favorecendo a formação de cálculos de ácido úrico.

O mecanismo por trás do sal também foi explicado: o excesso de sódio impede que o corpo aproveite o cálcio corretamente, forçando os rins a eliminar esse mineral em concentrações que facilitam o surgimento de cristais. Já as frutas cítricas podem ser benéficas, já que aumentam a concentração de citrato na urina, substância que ajuda a inibir a formação de pedras.

Ultraprocessados aumentam o risco?

Uma revisão científica publicada na revista Nutrients em 2025 aponta associação entre maior consumo de ultraprocessados e maior risco de doença renal crônica. Os próprios autores, no entanto, destacam que os estudos avaliados têm diferenças importantes na forma de medir dieta e diagnosticar a doença, por isso o achado deve ser interpretado com cautela.

Um artigo de revisão acadêmica recente resume bem o cenário: dietas com maior consumo de frutas, vegetais, fibras e fontes adequadas de cálcio, e menor consumo de sódio e ultraprocessados, são compatíveis com a prevenção da doença.

O cálcio da dieta deve ser cortado?

Não, ao contrário do que muitos pensam. O cálcio da alimentação não deve ser retirado sem orientação médica, já que uma dieta com ingestão normal do mineral é parte das recomendações técnicas para prevenção. Como existem diferentes tipos de cálculos renais, a estratégia preventiva ideal precisa ser individualizada, de acordo com o perfil de cada paciente.

Pacientes que apresentam pedras recorrentes podem precisar de avaliação metabólica e acompanhamento com urologista. Essa investigação ajuda a identificar o tipo específico de cálculo e orienta uma prevenção mais direcionada, reduzindo as chances de novos episódios.

Sobre o autor

O Dr. Danilo Souza Lima é urologista com foco em cirurgia minimamente invasiva e saúde integral do homem, dedicado a oferecer um atendimento humano e tecnologicamente avançado.

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